O riso e os “neurônios-espelho”…

O riso é contagioso sim. A causa é a ação dos chamados “neurônios-espelho”, que tendem a copiar o comportamento do nosso interlocutor. O papel dessas células já é bem conhecido nos aspectos visuais da comunicação entre primatas, principalmente no que se refere a atividades motoras. Por exemplo, quando duas pessoas estão conversando e uma cruza a perna ou os braços, ou mexe no cabelo, ou franze a testa, quase imediatamente a outra vai fazer a mesma coisa.

Acredita-se que são os neurônios-espelho que explicam também por que bocejamos ao ver outra pessoa abrir a boca e nos emocionamos ao ver um filme triste. Eles estão ligados a nossa capacidade de compreender o sentimento de outras pessoas, imitar gestos e entender o seu significado.

Agora, uma equipe de pesquisadores liderados por Sophie Scott, do Instituto de Neurociência Cognitiva, da University College London, demonstrou que as regiões do córtex pré-motor (área do cérebro ligada à linguagem) ativadas durante os movimentos faciais também estão envolvidas no processo auditivo de vocalizações não-verbais afetivas.

Segundo ela, os neurônios-espelho não agem apenas ao “ver” um gesto ou uma emoção, mas são acionados pelo simples som dela. “Parece que é absolutamente verdade aquela expressão: sorria e o mundo inteiro vai sorrir com você”, comentou Sophie em um comunicado do instituto à imprensa. O trabalho foi publicado na revista especializada “Journal of Neuroscience” em dezembro.

Otimismo em alta

Mas o grupo acredita que essa ativação não ocorre com qualquer sentimento, mas sim com os mais positivos. Para comprovar a teses, os pesquisadores expuseram voluntários a uma série de sons enquanto mediam a resposta do cérebro com imagens por ressonância magnética funcional. Alguns dos sons eram positivos, como risadas ou “u-hus” de triunfo, e outros eram desagradáveis, como gritos ou sons de gente vomitando.

Todos os sons desencadearam uma resposta na região do córtex pré-motor dos cérebros dos voluntários. Entretanto, a resposta foi mais significativa para os sons positivos, sugerindo que eles são mais contagiosos do que os negativos. Para os cientistas, isso explica por que normalmente respondemos com um sorriso involuntário a uma gargalhada ou comemoração. “Nós normalmente encontramos emoções positivas, como risadas ou aplausos, em reuniões de grupos, seja por exemplo uma família assistindo a um programa de comédia na TV ou a um jogo de futebol entre amigos”, diz a pesquisadora.

Ela acredita que esta resposta do cérebro – refletir o comportamento e o estado emocional dos outros, automaticamente levando a pessoa a também sorrir – ajuda os seres humanos a interagirem socialmente e fortalecer as relações entre os indivíduos de um grupo. “Esse mecanismo neural tão básico, encontrado também entre macacos, certamente foi fundamental para estabelecer coesão dentro dos grupos sociais primatas”, explica Sophie.

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