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O Efeito Mozart: Neurociências e Música

O efeito Mozart, descrito por Rausher et al., bastante divulgado na mídia e alvo de inúmeras controvérsias na literatura, refere-se à descrição de melhora no desempenho neuropsicológico em provas espaciais, bem como mudanças neurofisiológicas, induzidas pela audição da música de Mozart. Mais recentemente, esse efeito foi investigado por Hughes et al. em relação à atividade paroxística eletrencefalo-gráfica de pacientes epilépticos.

Os autores observaram que a audição de Mozart (Sonata para dois pianos em Ré Maior, K448) produziu uma significativa redução da atividade paroxística interictal em 23 de 29 pacientes (79%), incluindo pacientes em coma. Observaram, ainda, que não só a freqüência da atividade paroxística diminuía, mas também a amplitude das descargas. O mapeamento cerebral realizado durante a sonata mostrava diminuição da atividade teta e alfa nas regiões centrais, com aumento da atividade delta nas regiões central e média. Os autores sugeriram que a arquitetura complexa da música de Mozart poderia relacionar-se temporoespacialmente com a também complexa microorganização colunar do córtex cerebral (modelo trion), e semelhantemente à estimulação elétrica em padrão (como a observada após a estimulação da amígdala na freqüência de 1 Hz) poderia levar ao aumento do limiar convulsivo e à diminuição das descargas paroxísticas no EEG29. Embora interessante, tais achados requerem confirmação em novos trabalhos.

 

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