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Avaliação do zumbido no contexto da urgência e emergência

O tinnitus, também conhecido como zumbido, é definido como a percepção de um som na ausência de estímulo externo, caracterizando-se como uma sensação auditiva subjetiva ipsi ou bilateralmente. Vale ressaltar que não é uma doença, mas sim um sintoma clínico que precisa ser investigado.

No que diz respeito a epidemiologia, afeta 15% da população em geral e 33% dos idosos. É um sintoma comum, podendo estar relacionado à perda de audição, com 7% dos pacientes buscando ajuda médica para resolução do problema e, desses, entre 0,5% e 2% de forma urgente. Frequentemente não têm origem orgânica, estando relacionado ao estresse e fatores psicológicos. Estima-se que aproximadamente metade dos adultos e um terço da população pediátrica afetada com zumbido sofram de ansiedade e/ou transtornos depressivos, com picos epidemiológicos chegando a 77%.

Com relação à classificação, pode ser dividido em:

  • Contínuo, descontínuo e intermitente;
  • Objetivo (advém de atividade biológica interna, como disfunções de ATM ou turbulência vascular, por exemplo, também sendo percebido pelo examinador) e subjetivo (originado nas vias acústicas, sendo percebido apenas pelo paciente);
  • Clínico/Compensado (ruído consegue ser suprimido, não ocasionando impactos significativos na qualidade de vida do paciente) e Não Clínico/Descompensado (paciente apresenta alto nível de estresse psicológico e sobrecarga emocional, impactando seriamente na sua qualidade de vida);
  • Agudo (até 3 meses), Subagudo (até 6 meses) e Crônico (> 6 meses); *Alguns autores consideram apenas agudo (até 3 meses) e crônico (> 3 meses).
  • Pulsátil e não pulsátil.

Para um melhor raciocínio diagnóstico-terapêutico, iremos abordar mais detalhadamente esta última classificação.

  • Zumbido Pulsátil: É originado pelas estruturas vasculares em consequência da turbulência sanguínea gerada pelo aumento do fluxo sanguíneo e/ou estenose do lúmen vascular, sendo sincrônico com o pulso do paciente e podendo apresentar etiologia vascular (arterial ou venosa) ou não vascular. Possui extrema importância clínica, pois pode estar relacionado com uma condição médica grave, muita vezes servindo de alerta.

Tabela 1: Zumbido pulsátil

  • Zumbido Não Pulsátil: É geralmente causado por uma fonte não vascular, como deficiência auditiva, mioclonia palatina e da orelha média, disfunções da tuba auditiva, membrana timpânica, disfunção de ATM, dentre outros. Em sua maioria, ocorre bilateralmente e, nos casos em que se apresenta de forma unilateral, pode indicar condição clínica mais grave, como neuroma vestibular/acústico ou Síndrome de Menière.

Tabela 2: Zumbido não pulsátil

No que diz respeito a avaliação e manejo do zumbido na emergência, o principal objetivo é identificar as causas ameaçadoras a vida, preservar a audição, identificar causas curáveis e oferecer tratamento sintomático adequado visando evitar descompensação e evolução do quadro apresentado pelo paciente. Para isso, se faz necessária a realização de uma boa história clínica e exame físico (atentando para alguns pontos: característica, caráter, uni ou bilateralidade, momento do dia em que ocorre, presença de sintomas associados, doenças sistêmicas presentes), os quais irão possibilitar traçar as suspeitas etiológicas e eleger a melhor conduta.

Figura 1: Algoritmo do zumbido na urgência (ALTISSIMI, 2016)

IMPORTANTE: Zumbido e comorbidades psiquiátricas

Como citado anteriormente, grande parcela dos pacientes que apresentam sintoma de zumbido possui doenças psiquiátricas concomitantes. Além de ansiedade e depressão, o Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) pode ser a causa de sintomas. Ademais, dados da literatura mostram que o risco de suicídio nesses pacientes é dez vezes maior do que na população geral. Dito isso, faz-se necessário o rastreamento desses distúrbios para encaminhamento clínico adequado.

IMPORTANTE: Zumbido na população geriátrica

Nesse grupo etário, além de ser um sintoma prevalente, geralmente apresenta-se com caráter não-pulsátil, contínuo, bilateral, recente e único, repercutindo de forma severa no sono e estado emocional. Pode estar relacionado à superdosagem ou combinação de medicações, além de interferir em processos depressivos já instalados ou não, comuns em idosos.

 

REFERÊNCIAS

ALTISSIMI, G. et al. When alarm bells ring: emergency tinnitus. Eur Rev Med Pharmacol Sci, v. 20, n. 14, p. 2955-2973, 2016.

FERREIRA, Lidiane Maria de Brito Macedo; RAMOS JÚNIOR, Alberto Novaes; MENDES, Eveline Pereira. Caracterização do zumbido em idosos e de possíveis transtornos relacionados. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, v. 75, n. 2, p. 245-248, 2009.

PILTCHER, Otavio B. et al. Rotinas em otorrinolaringologia. Artmed Editora, 2015.

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