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Médicos dizem ter prova de regeneração no cérebro

MILWAUKEE, EUA – Um homem que mal se manteve consciente por quase 20 anos recuperou a fala e o movimento três anos atrás porque seu cérebro se reconstruiu espontaneamente, gerando minúsculas conexões nervosas para substituir as que haviam sido destruídas num acidente automobilístico, afirmam médicos que, agora, declaram ter prova do ocorrido.

Acredita-se que o homem, Terry Wallis, de 42 anos, seja a única pessoa nos EUA a apresentar uma recuperação tão dramática, tantos anos após sofrer grave dano cerebral. Embora o progresso de Terry seja inspirador, médicos alertam que não se pode esperar o mesmo de pessoas em estado vegetativo persistente. Eles também não sabem como causar recuperação semelhante em outros pacientes.

“Neste momento, estes casos são como ganhar na loteria”, disse o médico Ross Zafonte, chefe de reabilitação do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh. “Não quero entusiasmar parentes ou pessoas para que fiquem achando que agora temos uma cura para isso”.

Zafonte não tomou parte no estudo, encabeçado por Henning Voss e Nicholas Schiff, da Faculdade de Medicina da Universidade Cornell. Os resultados estão publicados na edição desta segunda-feira do Journal of Clinical Investigation. Wallis tinha 19 anos quando sofreu o acidente que o deixou, primeiro, em coma e, depois, num estado de consciência mínima, no qual permanecia desperto mais incapaz de se comunicar, exceto por movimentos da cabeça e grunhidos, por mais de 19 anos.

“As fibras nervosas das células se romperam, mas as células em si permaneceram intactas”, disse o neurologista James Bernat. Células nervosas que não morreram podem formar novas conexões. Por exemplo, nervos nos braços e pernas podem crescer até 2,5 cm ao mês, depois de serem cortados. Mas a ocorrência é muito mais rara no cérebro.

A nova pesquisa sugere que a recuperação de Wallis, há três anos, não foi “súbita”, mas esteve em progresso ao longo de duas décadas, enquanto os nervos de seu cérebro formaram novas conexões, até restabelecer a rede.

Os cientistas usaram uma nova técnica para fazer imagens do cérebro – disponível apenas para estudo científico – para determinar isso. Ela rastreia a direção das moléculas de água dentro e ao redor dos neurônios, e faz imagens em vermelho, verde e azul – uma cor para cada direção (acima/abaixo, atrás/frente, direita/esquerda).

Os médicos compararam a função cerebral de Wallis com a de 20 pessoas saudáveis e outro paciente com consciência mínima, e que não mostrou melhora em seis anos. Todos foram analisados duas vezes, num intervalo de 18 meses.

No cérebro de Wallis, a segunda imagem mostrou mudanças em relação à primeira, sugerindo recuperação, principalmente em áreas do cérebro ligadas à fala e ao caminhar.

 

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