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Exposição a pesticidas ainda no útero aumenta risco de DDA

Crianças expostas a pesticidas ainda no útero são mais propensas a desenvolverem distúrbios de atenção anos mais tarde. É o que afirma um estudo recém-publicado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

A pesquisa, publicada pela revista Environmental Health Perspectives (EHP), analisou a influência da exposição pré-natal aos pesticidas organofosforados e seus efeitos posteriores no desenvolvimento de problemas de atenção.

Os pesquisadores descobriram que os níveis dessas substâncias no feto estavam significativamente ligados a problemas de atenção em crianças de cinco anos, especialmente nos meninos.

Eles testaram seis metabolitos de pesticidas organofosforados nas mães duas vezes durante a gravidez e nas crianças várias vezes após o nascimento. Aos 3,5 e 5 anos, as crianças foram avaliadas quanto aos sintomas de distúrbios de atenção e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

Foram utilizados relatórios do comportamento materno infantil, desempenho em testes padronizados de computador e avaliações do comportamento. Eles ainda controlavam outros fatores como peso, exposição ao chumbo e amamentação.

Resultados

Cada aumento de dez vezes em metabólitos de pesticidas na fase pré-natal foi associado a ter cinco vezes mais chances de caracterização nos testes computadorizados aos cinco anos de idade, sugerindo uma maior probabilidade de uma criança ser diagnosticada com TDAH clínica.

Os resultados adicionam à lista de contaminantes químicos que têm sido associados ao TDAH nos últimos anos. Além dos pesticidas, os estudos encontraram associações com a exposição ao chumbo e ftalatos, que são comumente usados em brinquedos e plásticos.

“Altos níveis de sintomas de TDAH aos cinco anos de idade são fatores importantes para problemas de aprendizagem e rendimento escolar, lesões acidentais em casa e na vizinhança, uma série potencial de problemas no relacionamento com os colegas e outras capacidades sociais essenciais”, disse o professor de psicologia, Stephen Hinshaw, da UC Berkeley. “Encontrar fatores de risco evitáveis é, portanto, um importante problema de saúde pública”.

Riscos

Outra pesquisa, realizada por pesquisadores da Universidade de Harvard no início de 2010, também associava a exposição destes pesticidas em crianças em idade escolar com maiores taxas de sintomas de TDAH.

Estes estudos fornecem um crescente corpo de evidências de que a exposição a pesticidas organofosforados podem afetar o neurodesenvolvimento em humanos, especialmente entre as crianças¿, disse a pesquisadora que liderou estudo, Brenda Eskenazi.

“Estávamos especialmente interessados em exposição pré-natal, porque esse é o período em que o sistema nervoso do bebê está se desenvolvendo mais”, lembra.

O estudo acompanhou mais de 300 crianças que vivem em uma comunidade agrícola, e com isso, tendem a ser mais expostas aos pesticidas que a da população em geral. Mas o problema não se restringe a essas comunidades, garantem os pesquisadores, já que os químicos examinados são amplamente utilizados em todo o mundo.

No Brasil, por exemplo, são os inseticidas mais utilizados na agricultura para o controle de diversos tipos de pragas. No corpo humano, eles agem interrompendo neurotransmissores, principalmente acetilcolina, que desempenha um papel importante em manter a atenção e a memória de curto prazo.

“É sabido que o alimento é uma fonte significativa de exposição a pesticidas na população em geral”, disse Eskenazi. “Eu recomendo lavar bem as frutas e legumes antes de comê-los, especialmente se você está grávida”, alerta.

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