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Exercício físico diminui o apetite

Supostamente correr numa esteira ou nadar na piscina faz você querer comer mais. Pesquisas recentes, contudo, sugerem que o exercício pode, na verdade, ajudar a retardar a fome. Um novo estudo feito na Unicamp apresenta evidências de que a resposta fisiológica do organismo ao exercício pode ajudar a sintonizar sinais do sistema nervoso, fazendo o corpo sentir menos fome em vez de mais.

A fome é uma sensação complexa, mas determinada em parte por neurônios localizados no hipotálamo, que enviam sinais ao cérebro dizendo-lhe se você está com fome ou saciado. Esses neurônios levam sua mensagem aos hormônios, incluindo a insulina e a leptina. Quando o organismo desenvolve uma resistência a esses mensageiros, as pessoas ficam mais propensas a comer em excesso, ganhando peso.

Os pesquisadores da Unicamp concluíram que “a atividade física reorganiza o conjunto de pontos de equilíbrio nutricional por meio de antinflamatórios de sinalização”, conforme explicam no estudo publicado em 24 de agosto no PLoS Biology.

A chave para a sinalização parecia ser a interleucina-6 (IL-6) e IL-10, proteínas secretadas por células do sistema imunológico. O composto de IL-6 é liberado a partir dos músculos quando se contraem e apontado como responsável pelo papel central na regulação do apetite, gasto energético e composição corporal.

Para explorar ainda mais essa associação, a equipe de pesquisa analisou o uso de energia em ratos magros e obesos, que correram em uma esteira. Após o exercício, tanto os ratos magros quanto os obesos tinham menores níveis de insulina. Por amostragem do perfil biológico de alguns desses animais, os cientistas descobriram que o exercício tinha mudado a química do hipotálamo dos ratos obesos, que incluiu produção de IL-6. Os ratos que receberam um anticorpo para inibir a IL-6 antes do exercício não revelaram essa bioquímica.

“Essas moléculas foram cruciais para aumentar a sensibilidade dos hormônios mais importantes – a insulina e a leptina –, que controlam o apetite”, relata José Carvalheira, do Departamento de Medicina Interna da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo, e coautor do novo estudo.

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