Estudo descobre ligação entre gene e esquizofrenia

O estudo, divulgado na publicação especializada Nature Neuroscience, pode, possivelmente, levar à criação de novos tratamentos.

A pesquisa acompanhou 200 jovens, todos com alto risco de desenvolver esquizofrenia, durante dez anos.

Acredita-se que a esquizofrenia ocorra em famílias, e todos os jovens incluídos no estudo tinham dois ou mais parentes com o mal. Eles tinham entre 16 e 25 anos de idade no início do estudo, em uma época em que seus sintomas tinham maior probabilidade de se desenvolver.

Para investigar a razão de algumas pessoas desenvolverem o problema e outras não, os pesquisadores entrevistaram os voluntários, mapearam seu cérebro, submeteram-nos a testes psicológicos e análises genéticas.

Eles descobriram que participantes portadores de uma variação do gene da neuregulina tinham uma probabilidade muito maior de desenvolver sintomas psicóticos associados à esquizofrenia, tais como paranóia e ouvir vozes.

Exames de mapeamento do cérebro também revelaram que os jovens participantes da pesquisa que eram portadores da variante do gene têm maior probabilidade de mostrar atividade cerebral anormal nas regiões frontal e temporal – áreas freqüentemente associadas à esquizofrenia.

Outros estudos descobriram que a variação do gene está envolvida no "ligar" e "desligar" de um gene associado ao desenvolvimento cerebral.

Tratamentos

Jeremy Hall, chefe da pesquisa, disse que as causas doenças mentais têm sido um mistério , e que "não faz muito tempo que as pessoas achavam que alguém tem esquizofrenia porque teve uma mãe ruim".

"E os tratamentos não avançaram muito nos últimos 50 anos", disse Hall.

Segundo ele, é necessário haver um entendimento maior sobre o que causa as doenças antes de começar a formular tratamentos para elas.

"Estes resultados nos ajudam a entender como um gene pode alterar a função cerebral e depois causar sintomas, e pode representar um alvo nos tratamentos do futuro."

James MacCabe do Instituto de Psiquiatria do Kings College London, disse que o estudo "é interessante".

"Sabemos há anos que a esquizofrenia tem uma contribuição genética, mas até bem recentemente nenhum gene foi encontrado."

"Nos últimos cinco anos, foram identificados cerca de dez possíveis genes, e o da neuregulina é um gene muito promissor."

Segundo MacCabe, este é um estudo relativamente limitado, e terá que ser repetido em uma escala muito maior, mas se estes resultados forem confirmados, isso terá grande significação.

"A próxima etapa será entender como um gene defeituoso causa a esquizofrenia para que entendamos a neurobiologia do mal e formulemos tratamentos que possam reduzir os sintomas", concluiu o especialista.

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