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Envelhecimento e Deglutição

O Envelhecimento não ocorre igualmente em todo ser humano. Alguns apresentam maiores dificuldades neste processo. Contudo, com o avançar da idade, todos necessitam de atenção e cuidados específicos para que isso ocorra de forma saudável. Envelhecer não é adoecer.

Neste processo, é fundamental acompanhar a alimentação pois, mais do que uma necessidade, alimentar-se é também um ato de socialização, que une pessoas e, satisfaz o prazer de comer. Sensações estas, que não precisam ficar apenas na lembrança do idoso.

O centro da deglutição é uma organização complexa de elementos neurais no cortex e no tronco cerebral do sistema nervoso central e, inlcui regiões específicas do cortex e duas areas primárias do tronco cerebral (Bieger, Conklin, 1997). De acordo com Car (1977) e, Miller & Bowmann (1977), a estimulação da região ântero-lateral em frente ao cortex pré-central elicia a deglutição, que está geralmente associada à mastigação, mesmo se o cortex motor primário estiver destruído, indicando independência no controle da deglutição. O cortex cerebral exerce significante controle sobre a iniciação da deglutição e o nível de atividade neuromuscular durante a mesma. Regiões corticais específicas podem se integrar ao tronco cerebral para ativar e, controlar todas as fases da deglutição. (Car, 1973).

Assim, a deglutição é uma das funções biológicas essenciais e, a organização neurológica é indispensável para o bom funcionamento da mesma (Zemlin, 2000). O processo de deglutição pode ser dividido em 3 fases que são estas: Bucal, Faríngea e Esofágica estas por sua vez estão ritmicamente caracterizadas. (Machado, 2000)

A deglutição pode ser definida pelo ato de engolir. Participam da mesma os músculos da face, língua, mastigatórios, faríngeos, esofágicos e respiratórios. Os distúrbios neurológicos que prejudicam a contração coordenada de qualquer um desses músculos podem causar disfagia e secundariamente, obstrução das vias aéreas, pneumonia por aspiração e desnutrição.

A disfagia é uma alteração na deglutição, ou seja, no ato de engolir alimentos ou saliva. Pode ocorrer em diferentes fases da vida, especialmente em idosos, podendo trazer sérias conseqüências à saúde.

Na disfagia ocorre um desvio do alimento ou da saliva, obstruindo, parcialmente ou completamente as vias respiratórias. Esse desvio pode ser facilitado também pelo envelhecimento natural de estruturas envolvidas na deglutição (lábios, lingual, bochechas, etc.).

Além do envelhecimento das estruturas, o acidente vascular encefálico (derrame), traumatismo craniano, doenças neurológicas como Parkinson, Alzheimer, distrofias musculares e câncer de cabeça e pescoço podem causar a disfagia.

Pode ainda surgir devido a próteses dentárias mal adaptadas, refluxo gastro- esofágico grave e, após longos períodos de entubação.

É necessário o entendimento de que a disfagia além de provocar problemas emocionais e isolamento social, causa problemas sérios como desidratação, desnutrição e pneumonia, além do risco de morte por asfixia.

Há dois tipos de Disfagia, são elas: Disfagia Orofaríngea e Disfagia Neurogênicas.

A disfagia orofaríngea deve ser entendida como um distúrbio de deglutição, podendo ser congênita ou adquirida após comprometimento neurológico, mecânico ou psicogênico.

As disfagias neurogênicas são desordens no processo de deglutição causadas por doença ou trauma neurológico. As disfunções neurogênicas podem afetar a ação muscular responsável pelo transporte do bolo alimentar da cavidade oral para o esôfago. Clinicamente as disfagias orofaríngeas podem manifestar-se por meio de uma série de sintomas, como desordem na mastigação, dificuldade em iniciar a deglutição, regurgitação nasal, controle da saliva diminuído ou tosse e engasgos durante as refeições, desnutrição, desidratação, pneumonia aspirativa ou outros problemas respiratórios. Há também uma diminuição da sensibilidade e do reflexo de tosse, além de comprometimentos cognitivos.

Além disso, a Disfagia é uma característica comum nas doenças degenerativas e, tende a piorar no decurso da doença. Os pacientes devem ser periodicamente avaliados para se detectar se há piora progressiva da deglutição e, se esta pode ser compensada; se há risco de aspiração pulmonar; e se o estado nutricional do paciente se mantém estável, mesmo na vigência de alimentação não –oral.

A Doença de Alzheimer é o tipo mais comum de demência e, embora não ocorra o comprometimento da função sensório-motora, a deterioração cognitiva global contribui para uma dependência alimentar (Volicer, Seltzer, Rheaume, 1989). Sendo assim, nos estágios mais avançados da doença, em que há rsico de aspiração pulmonar ou possibilidade de comprometimento da nutrição e/ou hidratação do paciente, é comum a indicação de vias alternativas de alimentação. (Horner, Alberts, Dawson, Cook, 1994).

Dessa forma, para diminuir as complicacões provocadas pela disfagia, deve-se seguir as seguintes orientações, durante a alimentação:

  • Manter a postura ereta e confortável, nunca comer deitado, salvo em caso de orientações específicas;
  • Comer sem pressa;
  • Manter a prótese dentária bem adaptada;
  • Caso necessário ofereça alimentos mais pastosos e líquidos mais grossos, pois o engasgo com alimento líquido é o mais frequente.

Assim, a disfagia vai além de um quadro de distúrbio de deglutição, pois para muitos pacientes a presença deste pode ocasionar severas complicações clínicas e sociais. Na disfagia, o profissional não deve se preocupar em adequar o distúrbio ou apenas eliminar ou minimizar riscos de aspiração, estes devem lembrar que o aspecto nutricional e pulmonar do paciente são fundamentais. Quanto melhor o estado de nutrição do paciente, melhores condições ele terá para manter seu estado clínico geral estável, para se defender de aspirações e conseqüências e até mesmo para realizar as técnicas terapêuticas

O paciente disfágico merece grande atenção quanto à manutenção do estado nutricional, tendo em vista que a ingestão alimentar adequada se torna muito difícil.  Uma das medidas preventivas para se evitar a desnutrição é a adoção da pratica periódica da avaliação nutricional. Esta avaliação envolve exame das condições físicas do individuo. Uma dieta adequada é composta por vários nutrientes necessários a manutenção do organismo e aos processos vitais. Não existe uma dieta ideal, esta varia de acordo com as necessidades do individuo. Esta deficiência é um fenômeno progressivo em pacientes disfágicos, e técnicas diferentes de avaliação detectam estados de adequação ou de deficiência nutricionais.

Quando o individuo não consegue ingerir quantidades suficientes para manutenção do estado nutricional, lançamos mão de algumas alternativas, como a utilização de dietas enriquecidas ou suplementos nutricionais. Quando isto continua insuficiente, ou quando ocorrem riscos de aspirações, o suporte nutricional por vias alternativas se faz necessário. Assim, o acompanhamento nutricional do paciente disfágico deve ser individual, procurando adequar a oferta de nutrientes às condições clínicas, junto com a evolução terapêutica do paciente. (Furkim et AL, 2000).

Sinopse preparada por: Roberta Massariolli Mirandez

Fonte: HORNER J, ALBERTS M, DAWSON D, COOK G. – Swallowing in Alzheimer`s disease. Alzheimer`s Dis Assoc Disord 1994; 8:1-13; ZEMLIN, W.R. Princípios de Anatomia e Fisiologia em Fonoaudiologia. Porto Alegre: Artmed. 4a. Edição, 2000, p. 359; MACHADO, A. Neuroanatomia Funcional.São Paulo. Rio de Janeiro. Belo Horizonte.Atheneu, 2000, p.122; CAR A. – La commande corticale de La deglutition. II Point dímpact bulbaire de La voie corticofuge deglutitrice. J Physiol (Paris) 1973; 66:553-75; CAR A. – Etude macrophysiologique et microphysiologique de La zone deglutitrice Du córtex frontal. J Physiol (Paris) 1977; 73: 945-61; FURKIM, Ana Maria; SILVA, Roberta Gonçalves da. Programas de reabilitação em disfagia neurogênica. 2. ed. São Paulo: Frontis ed., 2000. 51p

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