Ecstasy danifica as células a longo prazo

A equipa de investigadores inclui Teresa Summavielle e Ema Alves, do IBMC, e Félix Carvalho, do Serviço de Toxicologia da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.

Os investigadores usaram na sua experiência ratinhos “adolescentes”, dado ser os jovens a maioria dos consumidores de ecstasy e por terem sistemas cerebral e hormonal particularmente vulneráveis, que ainda não estão plenamente maturos.

"A serotonina que está acumulada no interior da célula por efeito do consumo de ecstasy (…) é transformada por uma enzima, a MAO-B (monoamina oxidase), que está no interior da mitocôndria", explica Teresa Summavielle.

A MAO-B transforma a serotonina em peróxido de hidrogénio, vulgarmente conhecido por água oxigenada, um elemento que também é tóxico e faz normalmente parte do processo normal de envelhecimento celular, "mas que, neste caso, aumenta e acelera este processo".

"Quanto maior for o consumo da droga, mais este problema se fará sentir e maior será a possibilidade de a célula morrer", defende a cientista, realçando que durante a investigação apenas foi dado ecstasy a ratinhos durante um dia. "Quinze dias depois os danos continuavam presentes numa quantidade muito significativa, portanto não é uma coisa que acontece naquele momento e depois desaparece. É um efeito a longo prazo", destaca.

Depois da avaliação dos danos da droga ao nível de energia molecular, agora publicados, a equipa de cientistas está também a investigar quais as alterações que a droga provoca no comportamento dos indivíduos.

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