“Diálogo” entre neurônios vai mais além do que se imaginava

 

 

Assim como as raízes das árvores que se ramificam para aumentar seu alcance, os neurônios estabelecem conexões, chamadas de sinapses, nas quais seus mensageiros químicos (os neurotransmissores) garantem a comunicação com os neurônios vizinhos.

Os trabalhos de Christopher Harvey e Karel Svoboda, do Howard Hughes Medical Institute, em Ashburn (EUA), mostram que os efeitos de cada neurônio sobre a plasticidade cerebral, ou seja, a capacidade do cérebro de aprender e se adaptar a condições variantes, são mais importantes do que se tinha demonstrado até agora.

Em cada sinapse, a ordem é transmitida de um neurônio pré-sináptico para o pós-sináptico. Os estudos comprovaram que mais do que o simples diálogo entre o neurônio pré-sináptico e o neurônio pós-sináptico, esta conversa se estende para as sinapses vizinhas, como modelos informatizados já haviam sugerido.

O estudo em ratos de sinapses situadas no hipocampo, região do cérebro onde fica a principal "sede" da memória, mostra que a plasticidade de uma sinapse "pode ser influenciada pelos acontecimentos das sinapses vizinhas", observam Harvey e Svoboda.

As interações entre sinapses vizinhas, cujos efeitos se produzem a uma distância de 0,1 mm se mantêm por um período de até dez minutos, podendo reforçar ou facilitar as conexões entre os neurônios próximos.

Em outro estudo, Michael Brecht (Universidade Humboldt, em Berlim) e seu colega Arthur Houweling mostram como conseguiram modificar a reação ao tato de um rato estimulando eletricamente um só neurônio de seu córtex.

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