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Criado computador que registra atividade de células individuais no cérebro

Você prefere Marilyn Monroe ou Johnny Cash? Pesquisadores na Califórnia chegaram às células individuais que tomam parte na escolha.

Essa descoberta poderá levar a novas formas de controlar computadores usando apenas a mente, embora os pesquisadores não vejam aplicações imediatas. O que é mais interessante para eles é o que o experimento revela sobre o funcionamento do cérebro.

O cérebro pode “escolher” prestar atenção numa imagem e não em outra ao intensificar a atividade de uma célula e interromper a atividade de outra, disse a equipe do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em artigo na revista Nature

Os pesquisadores do Caltech se valeram de uma pesquisa médica paralela sobre o tratamento de epilepsia. Eles recrutaram pacientes cujos distúrbios cerebrais não podiam ser bem controlados por drogas, e que se candidataram para cirurgia.

A disfunção desses pacientes estava numa parte do cérebro chamada lobo temporal medial, que envolve o processamento de informação. “O lobo temporal medial é praticamente o centro do cérebro”, disse o principal autor do estudo, Moran Cerf. Essa parte do cérebro tem uma cópia de segurança, disse ele.

“Você pode tirar um pedaço do cérebro mas o paciente não perde nenhuma função”, declarou.

Os pacientes haviam se voluntariado para o procedimento, mas para extrair o pedaço correto, os médicos precisavam assistir a um ataque epilético em tempo real. Então os pacientes tiveram eletrodos introduzidos no cérebro e ficaram aguardando o ataque. Nesse meio tempo, eles tomaram parte no experimento de Cerf.

Itzhak Fried, que supervisionou a pesquisa, liderou um grupo em 2005 que descobriu o “neurônio Halle Berry” – uma célula do cérebro responsável opor reconhecer um astro de cinema em particular.

Os pacientes epiléticos foram submetidos a testes para ver quais estímulos ativariam os neurônios específicos que estavam ligados aos eletrodos. Uma voluntária, por exemplo, gostava muito do cantor Johnny Cash, e um de seus eletrodos produzia um sinal forte quando ela via imagens do ídolo.

Os pesquisadores projetaram então um computador que era capaz de reconhecer esses sinais e controlar um programa para fazer aparecer e sumir imagens numa tela. “É meio como um projetor de pensamentos, como o chamamos”, disse Cerf.

Foram então sobrepostas duas imagens – por exemplo, de Cash e da atriz Marilyn Monroe. Pediu-se então aos 12 voluntários que fizessem, uma imagem sumir e a outra se fixar, usando apenas o pensamento.

Eles conseguiram sucesso 69% das vezes, à medida que o computador reconhecia atividade no “neurônio Johnny Cash” ou no “neurônio Marilyn”.

Trata-se de um processo altamente individualizado, baseado nas preferências de cada paciente.

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