Confirmada área do cérebro que reconhece palavras

Os seres humanos possuem uma habilidade fantástica de, ao passar o olho pelo texto, instantaneamente reconhecer palavras por seu formato – mesmo que a escrita só tenha sido desenvolvida há cerca de 6 mil anos, muito tempo depois de o cérebro humano ter evoluído até sua forma atual. Por conta disso, os neurocientistas têm mantido um debate acalorado sobre se uma área do córtex cerebral, chamada de Área do Formato Visual da Palavra (VWFA, na sigla em inglês) é, de fato, um área específica e necessária para o reconhecimento de palavras.

Escaneamentos com Ressonância Magnética Funcional (fMRI) mostraram que a área é ativada especificamente quando as pessoas lêem, o que não acontece na hora de reconhecer outros objetos, como rostos ou casas. E as pessoas que têm lesões nessa região perdem a habilidade de reconhecer palavras inteiras – ficando reduzidas à leitura letra por letra. Porém, estudos com fMRI não podem demonstrar uma função para a VWFA, e as lesões envolvendo a área invariavelmente envolveram também outras regiões.

Agora, um paciente, no qual a cirurgia para aliviar a epilepsia rompeu especificamente a VWFA, deu a pesquisadores, liderados por Laurent Cohen do Hôpital de la Salpêtrière, uma oportunidade para demonstrar que a região tem sim uma função na habilidade de reconhecer palavras.

Os pesquisadores reportam na edição de 20 de abril da Neuron os resultados de testes de reconhecimento de leitura, língua e objetos antes e depois da cirurgia do homem de 46 anos. Eles descobriram que sua capacidade de ler antes da cirurgia era normal. Porém, os testes pós-cirurgia mostraram resultados bastante diferentes.

Os pesquisadores observaram que antes da cirurgia, o paciente podia reconhecer palavras longas tão rápido quanto as curtas; mas depois da cirurgia, o tempo de reconhecimento aumentou proporcionalmente ao tamanho da palavra. Essas descobertas indicaram que o paciente foi reduzido a reconhecer as palavras letra por letra.

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