Células-tronco conseguem regenerar parte do cérebro de ratos…

WASHINGTON – O cérebro contém células-tronco com uma surpreendente capacidade para reparar danos, informam cientistas na edição desta sexta-feira, 15, da revista especializada Cell. A nova compreensão da capacidade do cérebro de curar-se poderá levar a implicações para a medicina, de acordo com os responsáveis pelo trabalho.

Os pesquisadores descobriram que ratos, cujos cérebros foram gravemente danificados pela perda de dois genes, chamados "Numb" e "Numblike" em uma região específica, pouco após o nascimento, mostraram recuperação substancial em um prazo de semanas. Os cientistas atribuíram essa recuperação a células-tronco neurais "foragidas", que, de alguma forma, retiveram ou restauraram a atividade do gene.

"Com duas semanas, o cérebro dos animais havia desenvolvido um grande buraco", disse o pesquisador Yuh-Nung Jan. "Achávamos que os ratos não viveriam muito, mas, por volta da quarta semana, o buraco estava praticamente consertado e os animais sobreviveram".

"Foi uma grande surpresa. Não se sabia que o cérebro tivesse esse tipo de capacidade", declarou ele.

Jan e seus colegas descobriram o gene Numb na mosca drosófila, há mais de 10 anos. O gene desempenha um papel na definição do destino dos neuroblastos, células que se desenvolvem em neurônios e outras estruturas de apoio no cérebro dos insetos. Mais tarde, pesquisadores descobriram que duas proteínas no cérebro de mamíferos com função semelhante ao Numb das moscas, e que foram batizadas de Numb e Numblike, são essenciais para o desenvolvimento de neurônios no embrião do rato.

Para investigar o papel dos genes após o nascimento, a equipe de Jan criou ratos nos quais Numb e Numblike poderiam ser desativados em uma parte específica do cérebro, a zona subventricular (ZSV). Sabe-se que a ZSV contém células-tronco, mesmo após o nascimento.

Nos ratos recém-nascidos, a falta dos genes causou "grande perturbação" na ZSV, disse Jan.

Surpreendentemente, o dano acabou reparado. A reconstituição foi impulsionada por células progenitoras que haviam escapado da desativação do Numb, descobriram os cientistas.

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