Baleias corcundas têm alguns neurônios iguais aos humanos…

WASHINGTON – Um estudo anatômico que comparou o cérebro das baleias corcundas com os de outras espécies descobriu a presença de um tipo de neurônio que também é encontrado nos seres humanos.

Esse fato sugere que certos mamíferos marinhos e hominídeos podem ter sofrido uma evolução paralela, com soluções semelhantes surgindo para o problema de dar funcionalidade a um cérebro relativamente grande, de acordo com trabalho publicado no periódico The Anatomical Record.

Embora a biologia da baleia corcunda já seja bem compreendida, há muito pouca pesquisa sobre a composição do cérebro desse animal, o que deixa em aberto a ligação entre a estrutura cerebral e os comportamentos do mamífero. Embora a proporção entre a massa do cérebro e a do corpo – um método usado para estimar inteligência – seja menor nessas baleias do que nos golfinhos, a estrutura do cérebro das baleias corcundas sugere uma evolução complexa e elaborada.

Os pesquisadores Patrick R. Hof e Estel Van der Gucht compararam o cérebro de uma baleia corcunda adulta com os de outras baleias, golfinhos e botos. Eles descobriram que o córtex cerebral da corcunda, a parte do cérebro onde ocorrem os processos de pensamento, tem uma complexidade similar á de outros mamíferos marinhos, como os golfinhos.

Uma das descobertas consideradas “notáveis” pelos pesquisadores foi a de um tipo específico de neurônio em áreas do cérebro da baleia comparáveis a áreas do cérebro dos hominídeos onde a mesmo variedade de neurônio ocorre.

Acredita-se que, nos seres humanos, esses neurônios participem de processos cognitivos e sejam afetados pelo mal de Alzheimer e outras desordens, como autismo e esquizofrenia.

Os autores do trabalho notam que esses neurônios apareceram num ancestral comum dos hominídeos há cerca de 15 milhões de anos, já que ocorrem nos grandes macacos e humanos, mas não em primatas inferiores; nos mamíferos marinhos eles surgiram antes, talvez até 30 milhões de anos atrás, mas só continuaram a aparecer nos animais de grande cérebro.

 

Deixe um comentário