Antidepressivo prolonga a vida… de um verme em laboratório

A equipe da médica Linda Buck, Prêmio Nobel de Medicina 2004 (Centro da pesquisa sobre o câncer Fred Hutchinson, Seattle, Estados Unidos), estudou os efeitos de 88.000 substâncias sobre o "C.elegans", Caenorhabditis elegans.

Os pesquisadores concluíram que a mianserina possui efeitos contra a idade nestes minúsculos indivíduos de modo semelhante aos obtidos pela restrição calórica.

Introduzido na investigação biológica pelo prémio Nobel da Medicina de 2002, Sydney Brenner, o C. elegans tem reputação estabelecida como organismo-modelo na investigação biomédica, em particular nas áreas da Bioquímica, Genética, Neurociências, Biologia do Desenvolvimento. As suas características biológicas, aliadas à atual disponibilidade de uma ampla gama de recursos, tais como a sequência completa do seu genoma e colecções de mutantes para um vasto número de genes, a sua fácil manipulação e o baixo custo da sua manutenção tornam este nematódeo um modelo ideal para a pesquisa.

No entanto, observam os cientistas, o medicamento contra a depressão, não modifica o apetite destes animais.

O efeito da mianserina na longevidade do C.elegans (que vive normalmente cerca de três semanas) depende da dose e atinge no máximo um aumento de 31% (+ ou – 3%), unicamente se o medicamento for administrado durante sua vida adulta. O crescimento da expectativa de vida não é senão de 10% (+ ou – 5%) quando a molécula começa a ser dada às larvas do C.elegans.

A mianserina influencia as substâncias químicas do organismo, através dos neurotransmissores (serotonina e octopamina).

Mas nada prova a possibilidade de efeitos secundários indesejáveis nas pessoas idosas, em particular riscos de problemas sangüíneos.

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