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Amor romântico é um vício, dizem pesquisadores

Aqueles que sofrem por um amor perdido pode ter uma razão biológica para a sua situação. Uma nova pesquisa sobre o cérebro publicada na edição de julho do Journal of Neurophysiology sugere que a rejeição de um amante pode ser semelhante ter de se livrar de um vício.

O estudo é um dos primeiros a examinar o cérebro de pessoas que tiveram o “coração partido” recentemente e têm dificuldade de esquecer o seu relacionamento. Os pesquisadores descobriram que, enquanto olham para as fotografias dos antigos parceiros, homens e mulheres com o coração partido ativam regiões no cérebro associadas com recompensa, ânsia do vício, controle das emoções e sentimentos de apego, dor física e angústia.

Os resultados fornecem respostas sobre os motivos pelos quais pode ser muito difícil para alguns superar uma ruptura e porque, em alguns casos, as pessoas são levadas a cometer atos extremos, como perseguições e homicídios, depois de perder o amor.

“O amor romântico é um vício”, disse a autora da pesquisa, Helen E. Fisher, antropóloga biológica da Rutgers University, em New Jersey, nos Estados Unidos em entrevista ao site Livescience. “É um vício muito poderoso e maravilhoso quando as coisas estão indo bem e um vício horrível quando as coisas estão indo mal”, disse ela.

Os pesquisadores desconfiam que a resposta do cérebro à rejeição romântica possa ter uma base evolutiva. “Eu acho que os circuitos do cérebro para o amor romântico desenvolveram-se há milhões de anos para permitir que os nossos antepassados concentrassem sua energia de acoplamento em apenas uma pessoa por um tempo e iniciar o processo de acasalamento”, disse Fisher. “E quando você foi rejeitado no amor, perdeu o maior prêmio da vida que é um parceiro para o acasalamento”, afirma a pesquisadora. “Este sistema do cérebro é ativado, provavelmente, para ajudar ao rejeitado a tentar conquistar a pessoa de volta, para que se concentre nela e tente recuperá-la”, disse ela.

Cérebro dos corações partidos

Fisher e seus colegas fizeram a varredura dos cérebros de 15 voluntários em idade de frequentar a faculdade (10 mulheres e 5 homens) que tinham experimentado recentemente uma ruptura, mas ainda amavam a pessoa que os havia rejeitado. A duração média das relações era de cerca de dois anos, e 2 meses haviam se passado, em média, desde o rompimento dos relacionamentos.

Todos os participantes tiveram altas pontuações na Escala de amor apaixonado, um questionário que psicólogos utilizam para medir a intensidade dos sentimentos românticos. Os participantes também disseram ter gasto mais de 85% de suas horas acordados pensando em quem os rejeitou.

No experimento, os participantes olhavam uma fotografia de seu ex-parceiro e foram convidados a pensar sobre os acontecimentos que ocorreram com ele ou ela. Os participantes também olhavam para uma imagem neutra de uma pessoa familiar, como um colega ou amigo de um amigo. Para tentar reprimir os sentimentos românticos despertados a partir da primeira metade do experimento, os pesquisadores pediram aos participantes que competissem em um exercício de matemática entre o momento de olhar a fotografia do amado e a fotografia neutra.

Resultados

– Visualizar o ex-parceiro estimulou uma região do cérebro chamada área tegmental ventral, envolvida na motivação e recompensa. Trabalhos anteriores demonstram que essa região também está ativa em pessoas que estão loucamente apaixonadas. Isso faz sentido, porque “se você está feliz no amor, ou se você está infeliz no amor, você ainda está apaixonado”, disse Fisher.

– As regiões do cérebro conhecidas como núcleo accumbens e córtex orbitofrontal/pré-frontal também foram ativadas. Estas regiões são conhecidas por serem associadas ao vício em cocaína e a intensa dependência ao cigarro.

– Houve também aumento da atividade no córtex insular do cérebro e do cíngulo anterior, as regiões associadas com a dor física e angústia.

Algumas boas notícias

Os investigadores encontraram algumas boas notícias para as pessoas romanticamente rejeitadas: parece que o tempo cura a dor que elas estão sentindo hoje. Quanto mais o tempo tinha passado desde a separação, menor atividade havia em uma região do cérebro associada ao prazer e à recompensa.

As áreas do cérebro envolvidas na regulação da emoção, a tomada de decisão e avaliação também foram ativadas quando os participantes viram a foto do seu ex-amor. “Isto sugere que os participantes estavam aprendendo a partir de sua experiência romântica passada, avaliando os seus ganhos e perdas e descobrindo como lidar com a situação”, disse Fisher.

Estes resultados sugerem que falar sobre sua experiência, ao invés de simplesmente “curtir” o sofrimento, pode ter benefícios terapêuticos para o apaixonado. “Parece ser saudável para o cérebro, ao invés de apenas ficar nadando em desespero, pensar sobre a situação de forma mais ativa e tentar trabalhar uma forma de lidar com isso.” disse Fisher.

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