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20/06/2012 16:13
Os roedores conseguiram ficar em duas patas com a ajuda de uma armadura robótica. Foto: AP

Os roedores conseguiram ficar em duas patas com a ajuda de uma armadura robótica
Foto: AP

Cientistas europeus anunciaram nesta quinta-feira ter descoberto uma forma de ajudar ratos paralisados aprenderem a andar de novo, graças a um tratamento que combina estímulo da medula espinhal e suporte robótico. Os ratos também demonstraram um aumento quatro vezes superior nas conexões entre o cérebro e a medula espinhal após o tratamento, segundo pesquisa de cientistas na Suíça e publicada na revista científica americana Science.

A chave do sucesso da terapia foi conseguir fazer com que os ratos participassem de sua própria reabilitação, explicou o autor do estudo, Gregoire Courtine, presidente da Fundação Paraplégica Internacional (IRP) e diretor do departamento de tratamento de lesões na medula espinhal da Escola Politécnica Federal de Lausanne.

"No começo, o animal se esforça e é muito difícil", explicou à AFP. "Então, acontece pela primeira vez e o animal fica surpreso. Ele olha para você: 'Uau. Eu andei!'", relatou. O tratamento combina estímulo eletroquímico da medula espinhal, imitando os sinais que o cérebro normalmente envia para dar início ao movimento dos membros, e um equipamento de reabilitação que ajuda os ratos a se levantarem.

Os roedores conseguiram ficar em duas patas com a ajuda de uma armadura robótica que, embora não os faça se mover para frente, os estabiliza, evitando que saiam andando de lado, de forma que possam caminhar sem cair. Uma recompensa de chocolate foi colocada diante deles. Logo, os animais conseguiram dar alguns passos e entre duas a três semanas, à medida que suas habilidades aumentaram, os ratos voluntariamente subiram escadas, desviaram de obstáculos e até mesmo correram.

"Tivemos um percentual muito elevado de sucesso com estes animais. Sempre observamos, em todos os animais que tratamos, a recuperação do movimento voluntário", disse Courtine, acrescentando que mais de 100 ratos de laboratório foram testados.

Referindo-se aos resultados da pesquisa, destacou: "Em alguns animais foi fraco, em outros foi espetacular". Um tratamento similar foi testado em um indivíduo humano, um americano na casa dos 20 anos chamado Rob Summers, que ficou paralisado da cintura para baixo em um acidente de carro, e cujos progressos foram tema de um artigo publicado no ano passado na revista científica britânica The Lancet.

O estudo de caso forneceu a primeira prova de que estes tratamentos podem ajudar a restaurar o movimento voluntário em humanos. Courtine disse que espera começar os testes em humanos usando a técnica de sua equipe nos próximos dois anos.

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